25/11/2009 Preso acusado de matar idoso que saía de banco na Asa Norte Brasília,
Quinta-Feira, 24 de Abril de 2014

Você concorda com o arrocho na fiscalização nos estacionamentos das quadras comerciais do Plano Piloto?

Não

Sim

Sílvio Linhares ( sua historia )    

Editado em 13/10/2008


“Sou a antítese do jornalismo”, reconhece o jornalista com 39 anos de profissão e presidente do semanário sangrento Na Polícia e Nas Ruas. Aliás, o presidente do NPNR se parece com outro presidente - o da República, repararam?
Sílvio começou puxando fios, numa época em que a experiência contava mais do que o diploma. Por conta disso, foi promovido a repórter de campo, e mais tarde veio a se firmar como locutor esportivo dos Diários Associados e da Rádio Globo. Tinha apenas 18 anos quando participou da cobertura da Copa de 70, no México. Viajou o mundo acompanhando a Seleção Brasileira. Na Inglaterra, se encantou pelos tablóides: “Gostava do The Sun e do The Mirror, das cores, do formato, da abordagem”.
De volta ao Brasil, resolveu ingressar no jornalismo policial. Entre as coberturas que mais o marcaram, ele cita: o caso Ana Elizabete, o massacre no Carandiru, a Chacina de Acari e da Candelária, e o assassinato de PC Farias. Gaba-se de ter sido “o único repórter a entrevistar Leonardo Pareja e Tommaso Buschetta”. Herdou do jornalista Walter Lima o programa de rádio Na Polícia e Nas Ruas, que transmite até hoje pela Rádio Atividade (107,1 FM). Foi pioneiro em Brasília na produção do que se convencionou chamar de “imprensa marrom” (que seria muito mais apropriado chamar de “imprensa vermelha”).
O principal motivo que o impulsionou na empreitada, afirma, “é o tesão de ver bandido preso, tá no sangue do repórter policial”. Atribui a iniciativa do NPNR impresso também ao fato de que não queria mais se sujeitar ao crivo dos editores, e que preferia trabalhar com sua própria equipe.
Hoje, ele conta que já está na 2ª geração de bandidos; não raro topa com o filho de um criminoso que entrevistou no passado, por exemplo. Sílvio reconhece uma função social no jornalismo que exerce: além de ajudar nas investigações da polícia, também inibe a prática de crimes, defende-se. Há quem discorde, e sugira o contrário: que o sensacionalismo de NPNR glamourize as ações criminosas, incentivando-as mais e mais.
A rotina do jornalista não é das mais relaxantes. Dorme de três a cinco horas por dia, geralmente na parte da tarde. Acorda lá pelas 17h e fica de plantão, à espera das ocorrências. Costuma escrever as matérias de madrugada, e freqüentemente sai da redação direto para a rádio, de onde transmite o NPNR a partir das 6h. Esses hábitos, aliados ao cigarro e à dieta nada moderada, podem ter contribuído para os enfartes que já acometeram-no.
Aos 57 anos, lidando diariamente com criminosos de todos os calibres, Sílvio admite que só tem medo de roda gigante. Não dá importância aos críticos de seu jornal: “recebo uma crítica e mil elogios”, argumenta.
Apesar de toda experiência no ramo, ele admite: “ainda fico chocado quando vejo crimes envolvendo crianças e velhos”.
O jornal era sonho antigo do repórter policial. Foi concretizado com ajuda de Fred Linhares, que apresentou o projeto do NPNR como trabalho final de uma disciplina na faculdade; hoje é vice-presidente da publicação. Ao todo, são 30 pessoas fazendo o semanário, entre diagramadores, motoqueiros e gazeteiros. A reportagem está dividida em quatro equipes; cada uma cobre as ocorrências de determinadas áreas do DF. Fred Linhares, por exemplo, acompanha os crimes que acontecem em Planaltina, Sobradinho, etc.

Glossário da Polícia (e das ruas)

Os repórteres do NPNR, assim como outros profissionais que lidam diretamente com o que se poderia chamar de “mundo cão”, estão acostumados a usar certos jargões no linguajar cotidiano. Artigos do código penal, linguagem cifrada dos rádios de polícia e neologismos cunhados pela marginalidade integram esse vocabulário específico. Veja alguns exemplos:
157 - assaltante
171 - estelionatário
213 - estuprador
Boi - privada
Boizinho - repórter policial novato
Cabrito - dedo-duro
Caxanga - casa
Caxanga muda - casa vazia
Confere - tiro na cabeça, para certificar-se do óbito
Grinfa - mulher de malandro
Jaque - estuprador
Jega - cama
Marroque - café
Papa-mike - policial militar
Papa-charlie - policial civil
Samango - policial militar



Edição N 216